APRESENTAÇÃO

 

A Web Revista Discursividade, Estudos Linguísticos, na edição nº. 15 possui em seu eixo teórico o discurso em diferentes perspectivas teóricas, o que nos leva a refletir sobre a dimensão da linguagem. Cada abordagem teórica constrói o objeto de forma diferenciada o que nos convida para uma viagem por objetos e teorias.

O primeiro texto a abrir esta edição da Discursividade é a reflexão de Giseli Veronêz da Silva e Taisir Mahamudo Karim que situa o trabalho na Semântica do Acontecimento intitulado Nomes que Dizem Histórias: Figueirópolis D’oeste – MT:

 

Este artigo propõe refletir sobre o movimento semântico dos nomes que são atribuídos ao município de Figueirópolis d’Oeste-MT, localizada a 406 quilômetros da Capital do estado de Mato Grosso, Cuiabá. Tomamos como corpus para as análises as leis que nomearam oficialmente o município. As análises se fundamentam da posição dos estudos enunciativos, para tanto recorremos à teoria da Semântica do Acontecimento desenvolvida por Eduardo Guimarães (2002). Esse lugar teórico nos permite mostrar que o processo de nomeação é um procedimento de linguagem pelo qual um nome passa a dar existência a alguma coisa no mundo. Vamos mostrar, a partir das análises semântico-enunciativas, como as relações designativas constroem sentidos que deslocam os já estabilizados, possibilitando, assim, que uma expressão descritiva passe a significar um nome. Mostramos ainda, que o processo de nomeação não se dá aleatoriamente, como uma relação referencial ou intencionalista, o acontecimento do dizer se dá por agenciamento específico da língua que toma o sujeito da língua.

 

O texto Ivanise Hilbig de Andrade aborda a questão da discursividade sobre a exploração sexual infantil:

 

Todo discurso se estabelece em relação a outros discursos, o que torna sua análise um campo amplo de possibilidades, exigindo do analista rigor teórico e metodológico. A análise começa, conforme Orlandi (2002), na seleção e “de-superficialização” do corpus, momento em que o analista observa a materialidade linguística do discurso, descrevendo: “como se diz”, “quem diz” e “em que circunstâncias”, no intuito de tornar o objeto empírico um objeto discursivo. A partir desses pressupostos, o presente trabalho realiza uma primeira abordagem analítica do corpus levantado para a Pesquisa de Mestrado “Quem conta a História – A exploração sexual de crianças e adolescentes no discurso da mídia impressa sul-mato-grossense”, em andamento no Programa de Estudos de Linguagens da UFMS.

 

Outra reflexão é de Eliete Aparecida Borges em seu texto Da Analise de “Aspectos” da Leitura aos Mecanismos Midiáticos do Cinema:

 

Neste artigo apresentamos uma análise dos “aspectos” da leitura contidos no livro: “Os jovens e a leitura: uma nova perspectiva” escrito por Michéle Petit (2009) aos mecanismos midiáticos propostos em dois filmes: Encontrando Forrester e Balzac e a Costureirinha Chinesa. Verificamos que ensinar o jovem a ler é sempre um desafio já que ao ler o jovem modifica suas representações mentais, seus valores, suas crenças nas comunidades às quais pertence, seus modos de aprendizagem. Todavia a escola, na maioria das vezes, associa a leitura e uma visão utilitarista em detrimentos do gosto literário. Este trabalho tem como objetivo refletir sobre essas produções midiáticas quanto aos “aspectos” propostos nas três obras.

 

João Paulo Hergesel situa sua reflexão na Estilística em um novo espaço de materialização da linguagem, a internet:

 

As webséries, muito embora se derivem das – e por isso se assemelhem às – séries de televisão norte-americanas, são narrativas audiovisuais produzidas para a internet e disponibilizadas para acesso exclusivo no meio cibernético. Esse gênero, portanto, contém particularidades que merecem um olhar acadêmico-científico-cultural mais atento quanto às características de estilo presentes no modo como sua linguagem é confeccionada. Após uma pesquisa utilizando mecanismos de busca contemporâneos para levantar referências acerca do estado dessa arte, tornou-se notável a carência de bibliografia no que se diz respeito à sensibilidade pela linguagem aplicada à websérie, supostamente devido à atualidade do tema. Partindo dessa premissa, este original compila – a fim de servir como referencial – as principais informações a respeito da dissertação de mestrado desenvolvida, a qual sustentou como linha temática a análise de processos e produtos midiáticos, com enfoque nas narrativas midiáticas no contexto do universo on-line

 

Mayara Barbosa Tavares e Eliane Marquez da Fonseca Fernandes tomam enquanto objeto de construção discursivo as histórias em quadrinho não ficcionais:

 

O artigo é de cunho qualitativo, com método interpretativista e tem como objetivo a análise dos discursos materializados na história em quadrinhos não-ficcional intitulada 17 de junho, produzida por Gabriel Bá, em 2013, e veiculada na internet. Os quadrinhos abordam a temática da manifestação ocorrida no Brasil em 17 de junho de 2013. A fundamentação teórica liga-se à Análise do Discurso de orientação francesa, com foco nas obras de Pêcheux (1990a; 1990b; 1999; 2006), levando em conta as noções de efeito de sentidos, condições de produção do discurso e outras. No transcorrer das análises dos discursos, formações discursivas e ideológicas materializadas na história em quadrinhos são elencadas e discutidas, com foco na construção dos efeitos de sentidos.

 

Mirian Ligia Endo Karolesky e Beatriz Helena Dal Molin abordam a questão da identidade do sujeito do ensino a distância:

 

Educação a distância impulsionada pelo desenvolvimento tecnológico é uma modalidade que vem crescendo significativamente nos mais diversos âmbitos do conhecimento, e que apesar de ser uma modalidade que já existe há muito tempo, necessita ainda de estudos mais aprofundados que busquem analisar todos os seus elementos, para, de posse desse entendimento, corroborar para uma educação a distância voltada para os anseios da era tecnológica que vivenciamos nos dias atuais. Para a reflexão que aqui toma corpo tomamos para análise um elemento chave do processo da constituição da modalidade a distância, o sujeito, com o objetivo de compreender a constituição do sujeito inserido no universo da Educação a distância, analisando como nesta modalidade de ensino que tem como base o uso intenso das tecnologias de comunicação digital, o uso das tecnologias reflete na construção da identidade desse sujeito.

 

Greice da Silva Castela, Rita Maria Decarli Bottega e Eliete Aparecida Borges constroem a questão da literatura na relação com a subjetividade mediado pelo professor:

 

Para Silva (2014), a biblioteca pressupõe uma estrutura, uma sistematização que garanta autonomia ao aluno quanto à busca do saber. Ao aluno é necessário possibilitar uma escolha em relação ao que lhe interesse, ao que deseje conhecer, aprofundar seus conhecimentos e refletir sobre seus contextos. E quando é questionado sobre o que compete ao professor em relação à biblioteca, responde sobre a necessidade do professor de cobrar dos gestores das instituições nas quais atua uma biblioteca que disponha de um acervo e de recursos humanos qualificados necessários para o atendimento a toda a comunidade.

 

Maria Aparecida Alves Ribeiro e Maria Luiza Santos Castelari abordam as discursividade do transporte coletivo a partir dos atos de fala:

 

A proposta deste artigo é analisar os “atos de fala” (Austin, 1999), em uma matéria do jornal Correio do Estado do dia 21 de maio de 2012. Essa análise é, a partir da teoria dos atos, representada pelo usuário de transporte coletivo de Campo Grande-MS e dos representantes das agências ligadas ao transporte público.

Utilizando-se do poder que só o homem possui, o poder da ”fala”, esse mesmo homem necessita de certo cuidado ao utilizar-se desse “poder”. Tomaremos como referência para a pesquisa o pensador que se dedicou a estudar esse “poder”, assim, o alicerce deste trabalho é o filosofo americano Austin, pois a pretensão deste artigo é a de analisar/averiguar/observar os fatos e não existe a intenção de indicar um ponto negativo e/ou positivo, mas abrir uma janela ou uma pequena brecha para a reflexão, utilizando-se da teoria dos ”atos de fala”.

 

Giovani Ferreira e Nara Hiroko Takaki problematizam o letramento digital nas escolas indígenas:

 

Vivemos numa sociedade digital na qual o advento das novas tecnologias vem afetando a vida dos cidadãos em diversas direções e uma delas é a educação. Com as tecnologias da comunicação e da informação, diversas possibilidades de construção de conhecimento têm emergido com a leitura, escrita e multimodalidades fazendo com que o tratamento em relação à construção de conhecimento nas escolas seja repensado para atender às novas demandas sociais. O apoio das mídias digitais faz com que os saberes se manifestem de forma cada vez mais dinâmica e multimodal. Nessa perspectiva, os alunos já trazem práticas e conhecimentos para a sala de aula. Assim sendo, diversos autores têm questionado os paradigmas das epistemologias convencionais de ensino. O presente artigo, resultado de uma pesquisa de Iniciação Científica, tem como objetivo apresentar e discutir construções de sentido dos alunos Terenas e do professor em aulas de língua inglesa numa escola pública.

 

Rosimar Regina Rodrigues de Oliveira analisa pelo viés da Semântica da Enunciação a Marcha para Oeste

 Neste artigo apresentamos uma análise da constituição da cena enunciativa (GUIMARÃES, 2002, 2009) e da argumentação (DUCROT, 1981, 2008; GUIMARÃES, 2013) em  torno da realização da “marcha para Oeste”. Essas relações são analisadas no texto intitulado A marcha para o Oeste, publicado no jornal O Estado de Mato Grosso, no dia 17 de janeiro de 1941.

 

Sonia Gonçalves Batista e Aline Saddi Chaves encerram o nosso debate com a discursividade sobre a fofoca:

 

Este artigo tem como objetivo desenvolver uma análise sobre a construção da identidade de mulheres vinculadas, direta ou indiretamente, à política, em dois gêneros discursivos da imprensa digital: a coluna social e a notícia. Fundamentada nos princípios teóricos da Análise do discurso francesa, essa pesquisa toma emprestada a Bakhtin a teorização sobre os gêneros do discurso, um diálogo necessário para dar conta dos problemas colocados pelo objeto. Assim, o gênero primário fofoca adentra o universo da política ao transmutar-se no gênero secundário notícia, uma operação que acarreta consequências sobre o sentido, ao mesmo tempo em que se observa a reprodução de uma posição-sujeito historicamente construída.

 

Esperamos que os textos apresentados possam contribuir para um debate com temáticas e reflexões sobre elas de forma produtiva.

Boa leitura a todos.

 

Desta Terra de Campo Grande, Janeiro de 2015.

Marlon Leal Rodrigues

Elisângela Leal da Silva Amaral

Rosimar Regina Rodrigues de Oliveira