APRESENTAÇÃO

 

A Web Revista Discursividade, Estudos Linguísticos, na edição no. 14 com diversidade teórica e temática o que possibilita aos leitores possibilidades diversas de reflexões.

Quem abre a edição é Anderson Ederson Luís Silveira com um trabalho sobre Literatura Infantil e Cinema:

 

Neste estudo realizou-se a pesquisa exploratória com ênfase bibliográfica. Segundo Eniel (2009, s/d), conceitua-se pesquisa bibliográfica como, “a atividade de localização e consulta de fontes diversas de informações escritas, para coletar dados gerais ou específicos a respeito de um tema.” A metodologia empregada no desenvolvimento buscou evidenciar de forma bibliográfica sobre adaptação literária para cinema.

 

O segundo texto é de Michele Serafim dos Santos e Marlon Leal Rodrigues discute fazem análise do filmes “Procurando Nemo”:

 

Esta pesquisa tem como objetivo geral analisar o comportamento dos personagens do filme “Procurando Nemo” e relacioná-lo com a construção do discurso dos personagens, reforçando alguns aspectos do estilo de vida com a inclusão social e a partir disso desenvolver uma pesquisa dando ênfase aos objetivos específicos que são: Analisar a influência do discurso dos personagens do filme na vida das famílias e Destacar a ironia no discurso dos personagens em relação ao comportamento inclusivo. Os estudos mostram essa forte influência do cinema nas atitudes e modos de uma sociedade, que impõe costumes e altera opiniões, o que caracteriza a influência exercida pelos meios de comunicação de massa, onde o cinema tem forte controle sobre esses conceitos.  Faremos uma relação da Deficiência Física com o personagem Nemo, e analisaremos o comportamento dos personagens, seus conflitos e conquistas, através de eixos temáticos que avaliam a relação do filho com o pai; a criança com seus amigos, e entre a criança e a escola.

 

Já Layanne Rezende Carrijo analisa poemas de Manoel de Barros:

 

Para fazer uma análise discursiva e não literária de Memórias Inventadas, deve-se tirar o foco dos aspectos estéticos e colocar em primeiro plano a construção de sentidos. Esses sentidos estão tanto implícitos quanto explícitos, sendo que os implícitos surgem a partir dos explícitos, ou seja, a partir da materialidade linguística. Entre os sentidos implícitos que podem surgir está o ethos. Os temas que Manoel de Barros aborda, as ações que ele narra, as coisas que ele descreve e a maneira como as descreve – pois o estilo também colabora na construção de imagens de si – constituem identidades que constroem uma figura de homem do “mato” que preza coisas “miúdas”, a qual nos propomos a observar nesse trabalho.

 

Bruna Zotelli Mourão e Thiago Cyles da Silva analisam a música de Roberto Carlos e Erasmo Carlos:

 

A carreira de Roberto Carlos foi alavancada com o surgimento do programa Jovem Guarda, cuja plateia era composta de jovens que lotavam o auditório da TV Record, atração que era assistida em vários pontos do Brasil. Roberto Carlos e seus convidados apresentavam canções influenciadas pelo rock in roll da banda inglesa Beatles, ritmo que era pejorativamente chamado de iê-iê-iê. Nesse período, fazer canções que não privilegiassem os ritmos nacionais e não contemplassem a realidade social do país poderia soar como uma atitude de antinacionalismo.  

 

 

Patricia Damasceno Fernandes e Natalina Sierra Assêncio Costa trabalham o ensino a partir da Sociolinguística:

 

A variação linguística e a gramática normativa são pilares fundamentais para o ensino da língua portuguesa. Existem duas concepções a respeito desses pilares, a primeira defende que a gramática normativa deve ser aplicada ao ensino e que somente a norma padrão é aceita e que as demais são consideradas “erradas”.

A segunda concepção se refere à variação linguística, considerando importante tanto a gramática normativa quanto a diversidade linguística da sociedade para o ensino, pois ambas fazem parte da língua.

 

Rosana Monti Henkin faz uma reflexão sobre a relação do patriacardo e o feminismo:

 

O Patriarcado é um sistema sócio-político-ideológico que divide os gêneros, colocando-os em uma relação hierárquica baseada no controle da sexualidade feminina. Nesse sistema, os homens detêm o poder na maioria do tempo e as mulheres são submissas no que se refere aos espaços decisórios e diante da maioria dos homens. O masculino, nessa perspectiva, é, na maior parte do tempo, mais valorizado do que o feminino, este geralmente percebido como o outro imperfeito daquele. Embora tanto os espaços públicos como privados sejam ocupados por homens e mulheres, os primeiros são percebidos como locus ideal e território masculino, assim como o espaço privado é idealmente percebido como típico das mulheres e relacionado usualmente ao feminino. Tal estado de coisas origina e reforça uma dependência econômica das mulheres que, no decorrer das gerações, gerou uma submissão psicológica que dura até hoje, bem como a legitimação de métodos que a sociedade julgar necessários para o exercício desse poder. Essa situação dificulta o enfrentamento de problemas que surgiram em conseqüência desse sistema, como por exemplo, a violência contra a mulher.

 

Francisco Vieira da Silva a partir da Análise do Discurso análise o gênero “samba enredo”:

 

Objetivamos neste artigo, analisar os discursos que circulam no samba-enredo, a fim de investigar as redes de memória mobilizadas para a construção dos efeitos de sentido pretendidos por esse gênero. Nessa medida, analisamos sambas-enredo produzidos/apresentados por Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro nos anos de 1999 e 2012, os quais tematizam cidades litorâneas nordestinas. Para dar coerência aos seus dizeres e produzir efeitos de sentido sobre o público, os compositores do samba-enredo lançam mão de já ditos, os quais se alojam justamente na memória discursiva. Nesse raciocínio, para dizer é preciso não-dizer; pensando no corpus desse estudo, os dizeres presentes no samba-enredos são produzidos em relação aos não-ditos, aos dizeres apagados. Falar sobre as cidades, nesse caso, redunda em dissertar acerca das paisagens naturais, da hospitalidade e bravura da população, do exotismo da culinária, dentre outros aspectos. Aspectos negativos como os problemas que eventualmente ocorrem nestas cidades são elididos, posto que não cabem nessa conjuntura, nessa ordem do discurso (FOUCAULT, 2009). Neste estudo, de cunho descritivo/interpretativo e de abordagem qualitativa, constatamos que o samba-enredo é produzido num momento específico e com fins circunscritos: enaltecer uma dada cidade, com vistas a promover uma imagem positiva daquele lugar, e os dizeres veiculados através desses sambas, conforme mostramos aqui, não escapam dessa função.

 

Luciene da Veiga Costa e Marlon Leal Rodrigues refletem sobre a comunicação textual a partir da Análise do Discurso:

 

O presente trabalho tem como pretensão analisar o conteúdo abordado buscando esclarecer dentro dos preceitos da Análise do Discurso e  em relação ao sujeito, enfatizar sua linguagem com seu caráter discursivo. A linguagem presente leva a reflexão sobre a relação do sujeito com o mundo enquanto sua prática e sua construção de identidade, no papel de transformar sua história, observando a língua como um sistema abstrato. Eni P. Orlandi (2010. P.15), propõe que, a análise do discurso, procura compreender a língua fazendo sentido, enquanto trabalho simbólico, parte do trabalho social geral, constitutivo do homem e da sua história.

 

Claudinei Marques dos Santos e Nataniel dos Santos Gomes discutem sobre língua e gramática:

 

A tradição gramatical conhecida propriamente como gramática normativa ou tradicional vem ao longo da história, promovendo no ensino e no uso da língua portuguesa no Brasil, a noção ideológica de certo e errado, o que é bonito, o que é feio, o que está norma e o que está fora da norma e, consequentemente estigmatizando os fenômenos da variação e da mudança linguística, como se a gramática tradicional fosse o único padrão aceitável e perfeito para se comunicar, com isso institui uma língua pura, sem mácula, e, esteticamente perfeita para comunicação (BAGNO, 2000, 2004, 2008). Quando na realidade, o que a GT (gramática tradicional) prescreve e descreve como único padrão de normas aceitáveis numa realidade social, é, todavia, perpassado por falhas, lacunas, contradições e incoerências em seus conceitos, (MATTOS & SILVA, 2008), (POSSENTI, 2004), (PERINI, 1997) o que significa, que a GT não é  nem um pouco homogênea muito menos logicamente perfeitas, ao contrário, seus  postulados subjacente à norma gramatical do português formulam conceitos que não convém com as estruturas linguísticas, isto é, não há uma relação lógica entre conceito e as estruturas linguísticas, o que produz alguns paradoxos e contradições nos seus postulados, sobretudo nas referente aos artigos, pronomes e na sintaxe.

 

Thais Priscila Papa Jerônimo Duarte, Letícia Jovelina Storto e Denise Durante apresentam o último artigo:

 

A língua falada possui características específicas, decorrentes do próprio vínculo estabelecido entre falante e ouvinte, próprios da interação falada. Diferentemente do que pode considerar o senso comum, a produção e a recepção do texto oral são complexas, uma vez que o planejamento e a execução ocorrem quase simultaneamente. Essa complexidade contrapõe-se também a afirmações que julgam a língua falada como uma modalidade sem regras, informal, em contraponto à língua escrita, pautada por regras e formalidade.

 

Para finalizar a edição, temos o resumo de dissertação de Maria Rosana Rodrigues Pinto Gama:

 

Nosso trabalho procurou evidenciar relação entre o estudo da poesia contemporânea brasileira, a leitura dos poemas de A teoria do jardim e um exercício, com as referências teóricas feministas, uma possível aplicação da crítica literária capaz de realizar leitura feminista, produzindo entendimentos possíveis. Buscou-se relacionar, principalmente por meio das figurações do corpo que são trabalhadas de forma aberta a muitas significações, ao sentido contemporâneo do mundo.

 

Desejamos boa leitura a todos.

 

Desta Terra de Campo Grande, julho de 2014.

Marlon Leal Rodrigues

Elisangela Leal da Silva Amara